quinta-feira, 10 de maio de 2007

Regionalização !




É urgente actuar
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Resumo da entrevista do JN a Valente Oliveira (VO), vice-presidente da AEP
em 03.Maio.2007
(AEP - Associação Empresarial de Portugal sedeada no Porto e fundada em 1849)

(…)
JN - Há líderes no Norte?
VO - Tenho a vantagem de dizer isto há 30 anos : precisamos de líderes não só científicos (que temos), não só empresariais (que temos), mas políticos.
Precisamos de líderes regionais. Não pode ser um líder local transformado em regional, sem ser legitimado pelo voto regional. Isso é fatal.
O que é que se precisa neste momento?
De alguém com poder de convocatória grande, para convocar as universidades, associações, empresas, serviços, para resolver problemas de isolamento. Não há redes, precisamos de alguém com legitimidade para as tecer.

JN - Há pessoas que podem tornar-se esses líderes?
VO - Acho que sim.

JN - Quer identificar?
VO - (...)
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(…)
Um estudo de uma Universidade portuense a divulgar factores económicos era (considerado) uma forma de regionalismo provinciano e ultrapassado.
Qualquer, mas qualquer coisa, que fosse relacionada com o Norte, vindo de entidades ou instituições nortenhas significava pequenez, mesquinhez, complexos de inferioridade.
Porém, se uma qualquer instituição alentejana enaltecesse os cantares alentejanos era visto como forma de orgulho e não como um perigo para a integridade nacional.

Ha que ultrapassar este complexo de afirmação na nossa identidade e todos devemos unir-nos com o intuito de melhorarmos, evoluirmos e recuperarmos o estatuto de região líder do país, pois isso não revela problema algum.
Revela sim é competência, dignidade e competitividade. Que são atributos que estão em falta e que se revelam necessários para o processo de recuperação económica da região.
Deixemos de ter os complexos de que quem reclama é como quem mendiga.
Quem reclama é porque quer mais. É porque se sente injustiçado. É porque quer crescer e não pode.
Deixem-nos respirar e seguir caminho pelos nossos pés.
Evoluiremos. E o país também.

in Calécia
http://calacia.blogspot.com/03/05/2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Viagens na minha terra...




em defesa das ferrovias

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Linha do Douro

I

O conceito dos rios como fronteiras, como espaço "atemporal" entre a vida e a morte (e.g. o rio Lethes) é uma interpretação romana bem distante do conceito dos celtas e gregos para quem os rios são dons da Natureza, energias fluviais que unem os povos, não os separam…
Assim, as diversas tribos galaicas que habitavam o noroeste peninsular, estendiam-se desde o Atlántico aos montes asturianos e do mar Cantábrico à margem esquerda do rio Vouga, e em seguida até à margem direita do rio Côa (Cua dos romanos), um rio que faz um percurso Sul-Norte, fronteira natural entre celtas vettones e os celtiberos lusitanos que seguia depois a margem esquerda do Douro.

O rio Douro nunca foi uma fronteira, mas sim uma artéria de vida entre as comunidades celtas que habitavam as suas margens, daí a importância que para nós representa a linha férrea que serpenteia ao longo do grande rio.

Das linhas ferroviárias nortenhas consideradas secundárias pela "administração central", apenas a do Douro reberá, até 2013, um pequeno investimento no troço entre Porto e Régua, enquanto as de "via estreita" (Tua, Corgo, Tâmega e Vouga) aguardam que "capitalismos disponíveis" as prostituam como destinos turísticos.
Para o governo de Lisboa a prioridade centra-se na chamada "rede de alta velocidade", em detrimento de todas as outras "redes" que seguem submetidas à trilogía "mais degradação - menos utilizadores - maior prejuízo", e consequente abandono!
As empresas de camionagem são cada vez mais omnipresentes, repartindo o bolo entre elas e… muito provavelmente com alguém mais.

Segundo afirmou ao "JN", Júlio Meirinhos, presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano :
"Um dia virão pessoas que pratiquem uma gestão inteligente, que hão-de-arrepender-se de terem deixado degradar estas linhas".

O presidente da Região de Turismo da Serra do Marão, Armando Miro, nota, porém, que as linhas "não são rentáveis" quando exploradas apenas turisticamente. "Funcionam três ou quatro meses. E depois?". A resposta vem logo a seguir "Ou as linhas são entendidas dentro de uma política global de transportes públicos ferroviários, ou então não vale a pena, pois o prejuízo será muito maior".

II

Construida pela Direcção dos Caminhos de Ferro do Douro (independente até 1927) e inaugurada em 2 de Dezembro de 1887 pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, a paisagem ao longo da linha do Douro, desde o Porto, varia entre tonalidades de verde e o colorido das casas das gentes que vivem ao longo do percurso, entre terrenos agricolas e serra bravia.

Logo depois da estação de Caíde, o comboio entra num túnel que rompe as entranhas da terra, mergulhando-nos nas trevas ctónicas durante mais de meio minuto, fazendo-nos apreciar a claridade solar que nos aguarda do outro lado.

O arvoredo, salpicado de hortas que nos indiciam terra fértil, abre-nos um ambiente oxigenado e espaço livre… A recordação da urbe vai-se diluindo com a nostalgia da vida trabalhosa mas relaxante do campo.

Ao fim de uma hora de viagem, ainda falta outro tanto para chegar à Régua, há cada vez menos casas, a paisagem vai ficando mais rural e começa a presentir-se o Douro e as suas encostas que se elevam nas duas margens, repletas de vinhedos.

Ao chegar à Régua fazemos o transbordo para uma composição rebocada por uma locomotiva a vapor, conjunto conhecido como “Comboio Histórico” e iniciamos o percurso de 30 km entre a Régua e Tua.
O trajecto tarda cerca de 2h30 durante os quais a velha locomotora, resfolgando e apitando, queima cerca de 1000 quilos de carvão e 1500 litros de água.
O percurso, agora abandonado, da Linha do Tua (que ligava Tua a Bragança) foi inaugurado a 29 de Setembro de 1887, com a presença de El-Rei Dom Luís e da rainha D. Maria Pia.

Nos confins do Alto Douro, junto à fronteira espanhola, uma velha linha de comboio jaz no fundo dos vales, esquecida e desgastada pela passagem do tempo.
Esta velha linha, onde outrora passavam os comboios que ligavam Porto a Paris, está abandonada desde 1985.
O troço foi construído no final do século XIX, compreende vinte túneis e dez pontes, constituindo uma formidável obra de engenharia.
O percurso entre a estação espanhola de la Fregeneda e a estação portuguesa de Barca d'Alva, numa extensão de 17km, é conhecido por "Rota dos Túneis" (Ruta de los Túneles) e actualmente constitui um interessante percurso pedestre.
É possivel continuar o percurso (andando) ao longo do Rio Douro até ao Pocinho, que actualmente representa o términus da circulação ferroviária da Linha do Douro, passando pelas abandonadas estações de Barca d'Alva, Almendra e Foz Côa.

Em Figueira de Castelo Rodrigo, em 1976 residiam três mil habitantes… hoje resistem 600.

A viagem pela linha do Douro, do Porto até ao Pocinho, parece uma virtualidade com o comboio a circular tranquilamente sobre a água. Visão indescritível de uma paisagem que a mão humana mal tocou!
Porém, a possibilidade de que a linha seja interrompida na Régua é uma ameaça permanente.
Enquanto existe, é a garantia de um passeio inesquecível.

Como pode o Terreiro do Paço ter sensibilidade para se aperceber de quanto tudo isto representa para nós, nortenhos ?!

Devemos ser conscientes de que as vitórias não são prendas, são conquistas !
E a Regionalização será uma conquista… se nós quizermos.
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-> a Linha do Douro foi construída e inaugurada pelo Estado, através da Direcção dos Caminhos de Ferro do Douro (que só passou a fazer parte da Companhia Portuguesa dos Caminhos de Ferro (CP) em 1927, tendo iniciado actividade em 1873.
A abertura ao público do troço entre Ermesinde – Penafiel ocorreu em Julho de 1875.
Posteriormente foram sendo inaugurados troços sucessivos, tendo o comboio chegado a Barca de Alva em 2 de Dezembro de 1887, cocluindo assim a Linha do Douro.
O troço de Barca de Alva até a fronteira fazia parte da exploração da Compañía del Ferrocarril de Salamanca (1871-1928).

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Eleições na Madeira !





"o povo apoia a regionalização"
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Os profetas do "politicamente correcto" anunciavam uma derrota estrondosa de Alberto João Jardim, com motivo do seu discurso regionalista-autonómico, quase nacionalista…
O resultado de ontem (06/05/2007) fala por ele mesmo :
- em 2004, Jardim alcançou 53,6% dos votos, agora em 2007 conseguiu 64,2%.

"Deixem a Madeira e o seu povo trabalhar", apelou.

"Portugal não pode continuar doente com a permissividade em males sociais graves como a droga.
Doente com absurdos a que chamam causas fracturantes, mas que mais não são do que decadência, inversão de valores, ausência de cultura, tragédias familiares e aumento da criminalidade",
disse Jardim.

"Recuso que a Madeira esteja sujeita a uma inflação legislativa nacional incompetente, a qual obstrui sistematicamente o investimento, alarga a praga burocrática, asfixia a economia e provoca o desemprego".
"Recuso a montagem de um Estado policial em Portugal destinado também a perseguir quem não alinha pelo pensamento único subtilmente institucionalizado", acrescentou.

Alberto João Jardim disse ainda recusar "um aparelho de justiça ideologicamente penetrado, mediaticamente exibicionista e que invada áreas dos restantes poderes de Estado".

O líder madeirense sustentou apoiar "todas as movimentações populares democráticas que visem mudanças de fundo em Portugal".

"Defendo o princípio da unidade diferenciada, em que a Madeira, no quadro da unidade nacional, tem direito ao seu sistema de desenvolvimento próprio e diferente, ficando para o Estado apenas as competências que consubstanciam a essência, e só esta, da mesma unidade nacional", frisou ainda Jardim.
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comentário:
Que a Madeira nos sirva de exemplo.
Regionalização JÁ!

domingo, 6 de maio de 2007

Escócia : passinho a passinho...




Vitória eleitoral do SNP


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Os nacionalistas do Partido Nacionalista Escocês (SNP), chefiado por Alex Salmond, partidários da independência escocesa, obtiveram uma histórica vitória nas eleições autonómicas realizadas na quinta-feira (03 de Maio).

Os 47 membros do SNP eleitos para o Parlamento de Edimburgo reuniram-se hoje para celebrar o resultado eleitoral e o seu presidente, Alex Salmond, anunciou que vão iniciar conversações para preparar a coligação que lhes permita governar.

Num total de 129 lugares;
SNP 47
Laboristas 46
Conservadores 17
Liberal democratas 16
Verdes 2
Independente 1

Os partidos têm agora um prazo de 28 días para decidir as suas alianças e formar a nova administração, que até agora estava integrada pelos laboristas (socialistas) e os liberais democratas.

Nicola Sturgeon, número dois do SNP, anunciou que haverá um "referendum" sobre la independência, no que é apoiado pelos Verdes.
Os liberal-democratas, até agora, não se têm mostrado entusiasmados, mas Iain Smith, um dos parlamentares liberal-democrata eleitos afirmou que o seu partido considerará todas as opções durante as negociações para formar a coligação de governo.

O Parlamento de Edimburgo não tem competência sobre política exterior, imigração, defesa, segurança social, emprego e segurança nacional, temas sobre os quais decide Londres.
Não obstante, o tema da imigração arrisca iniciar um conflito entre Edimburgo e Londres.

sábado, 5 de maio de 2007

Viagens na minha terra...

Memórias de Tormes

Viajando no comboio do Douro (1) desde o Porto, após cerca de 1 h 40 mn desembarcamos na estação de Aregos.
Aregos que, por circunstâncias da "A cidade e as Serras" do Eça de Queiroz, também é conhecida como Tormes, está próximo da povoação de Vila Nova, onde se encontra a "Casa de Tormes", a mansão onde residiu o citado escritor.

Desde a estação de Aregos/Tormes decidimos caminhar até à casa de Eça, hoje propriedade da Fundação Eça de Queiroz, um passeio bonito, mas cansativo… cerca de 300 metros sempre, sempre a subir !

O caminho íngreme e alpestre da estação até à quinta é simplesmente maravilhoso.”
Eça de Queiroz in "Carta a Emília de Castro", datada de 28 de Maio de 1892

No alto daquelas serranias estamos num miradouro de beleza sobre o rio, lá no fundo, e até onde a vista alcança contemplamos uma paisagem deslumbrante nas lonjuras d' além Douro, o "Durus" latino, derivado do celta "dwr" ("água").

Aregos (S. Romão de Aregos), que já no século X era nomeada como "villa de Sancti Romano", o "Castro Arecos" dos celtas, é para mim algo mais que a Tormes do Eça pois, aí nasceu António, meu avô paterno, e sua mãe Joana, que ainda conheci.

A casa de Tormes recorda Eça, como a casa de Romarigães" lembra Aquilino e a casa de S. Miguel de Seide relembra Camilo…
Casas com carácter para homens com temperamento. Um apelo ao lar… um grito à tradição !

Mas, as serras não são apenas paisagem… são gente, costumes e formas de ser…
De ser, de sobreviver, viver e conviver.

Serra acima, os contrastes são evidentes. Há lugares onde o tempo se perdeu por caminhos e encruzilhadas e não mais encontrou o rumo. Nas aldeias ainda se amanha o trigo para renovar as coberturas de colmo das casas de granito, mói-se o trigo e o centeio em seculares moinhos de água, assa-se o cabrito e o anho em fornos de lenha e cozem-se as falachas (doces de castanha).
Romarias, festivais de folclore e feiras não faltam nestas paragens. Se os dias são de festejo, expõe-se o artesanato, o barro preto de Fazamões (do outro lado do rio), os cestos de vime ou as toalhas de linho. Canta-se, dança-se, bebe-se e provam-se iguarias.

E uma das formas mais tradicionais de conviver realiza-se habitualmente à mesa, pelo que, seguindo o conselho de Eça, "atacamos" a ementa, acompanhada de um excelente tinto do Douro.

Começamos pelo "caldo de galinha" :
Desconfiado, provou o caldo que era de galinha e rescendia. (…)
Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes (…)
in "A Cidade e as Serras"

E, depois desta gastronómica "obertura", passamos lampeiros ao "corpo da sinfonia", um consistente "arroz de favas com chouriço" :
E pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. (…)
Tentou todavia uma garfada tímida (…)
Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado: - óptimo!...
Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia!
in "A Cidade e as Serras"

Um pouco de creme queimado e um sorvo de vinho de Porto completa-nos o repasto !

Após uma barulhenta e bem animada partida de dominó, disputada numa pequena adega, rodeados de pipos e de salpicões pendurados nas travessas do tecto, assistimos a um esplêndido e colorido pôr-do-Sol que, na retina, nos acompanhará no regresso à grande urbe.

O dia terminado, vencendo timidamente o sono e o cansaço que nos invadem, vamos lendo o nome das estações … Mosteirô, Juncal, Marco de Canaveses, Paredes, Ermesinde…
Decididamente envoltos no manto de Morfeu, acreditamos ver, sentado frente a frente, um "peraltado" cavalheiro de grandes bigodes… Eça acompanhava-nos !

A digressão valeu a pena !
Aliás, como diz o poeta, "vale sempre a pena quando a alma não é pequena…" !
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(1) A linha ferroviária do Douro uma notável obra de engenharia que durou 12 anos, concluída em 1887, tem 203 Km de extensão desenvolvendo-se na sua maior parte junto às margens do rio Douro, ligando o Porto ao Pocinho.
Há cerca de 15 anos que o trajecto de Pocinho a Barca d'Alva (28 Km) foi abandonado por razão de rendibilidade, o que não impede que se faça o percurso… andando, junto ao rio, cerca de 8 horas sobre a antiga via ferroviária… somente para "iniciados" na marcha !

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Basta de atentados ao bom-senso

TGV … para quê ?


Será que para ir implorar favores, ou serviços, ao Terreiro do Paço já não bastam estradas, auto-estradas, uma dezena de combóios diários, mais não sei quantos vôos?

Aos funcionários públicos, aos empregados bancários, aos marçanos de todos os negócios que lá vão ganhar uns extras, tomar uns "cupinhos de lête" e espreitar por debaixo dos saiotes do Marquês, não basta o que já existe?
Para quê tanta pressa?

Justifica essa vassalagem que se gastem mais milhões de milhões num combóio-foguete, que chegará uns minutos antes a L'jbôa ?
Bem sei que também permitirá regressar ao Norte mais rapidamente… nem tudo são desvantagens!

Não obstante, creio que a regionalização, descentralizando e esvaziando os gabinetes da "báxa alfacinha", evitaria muitas dessas viagens, e poderiamos aplicar os milhões na linha do Minho e na linha do Douro, na linha do Corgo e na linha do Tua, na linha do Tâmega e….

Promovendo o transporte de passageiros e mercadorias pela ferrovia, evitariamos que se espalhassem mais milhares de toneladas de cimento e asfalto através das nossas maravilhosas serranias.
Queremos preservar a natureza!

Quanto ao TGV, que o façam entre L'jbôa e Madrid, entre o Al Gharb e a Amadora.
Pouco importa!
Mas que não o façam com o nosso dinheiro.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Um pouco de História





de "Alis Ubbo" a "L'jbôa"
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No neolítico os primeiros iberos chegam à foz do Tejo, e no século VII EP aí se fixam os Cempsi e os Saefes, iberos de cultura celta.

Entre 1220 e 128 EP os fenicios instalam um mercado permanente que denominam Alis Ubbo e que compartem com os cartaginenses, outro povo do norte de Africa.
Num breve periodo, também os gregos tentam um entreposto comercial (denominado Olissipo), mas abandonam por pressão dos norte-africanos (cartagineses) que então controlavam o Mediterrâneo, via utilizada pelos gregos.

Os romanos são senhores da região entre 218 EP e 408 EA, denominando a cidade como Felicitas Julia.

De 408 a 714, suevos e visigodos, alternadamente, atacam, saqueiam e ocupam a cidade, denominada pelos últimos como Ulishbona.

Mas, os norte africanos regressam, e os mouros, chefiados por Abd al-Aziz ibn Musa bin Nusair, tomam a cidade em 714, que passa a chamar-se Ushbuna, e igualmente se apoderam de al-Santaryn (Santarém).
Constroem um centro urbano, o bairro de Alfama ("al-hamma"), e a cidadela de al-Madan (Almada).

Somente quatro séculos depois, em 1147, Ushbuna é conquistada aos mouros por uma força militar mercenária (cruzados) paga por nobres do Centro e Norte, e em que também participaram (com valentia) algumas tropas conduzidas por Alfonso Anriques.

Na cidade, o bairro da Mouraria foi destinado à população muçulmana, que mantinha uma mesquita aberta aos crentes (na actual Rua do Capelão).

Os muçulmanos, para continuarem a trabalhar as hortas existentes nos limites da cidade, eram obrigados a pagar um imposto denominado "salaio", de onde provém o termo "saloio" que acabou por designar os que habitavam os limites geográficos da cidade.
Aliás, o termo "alfacinha", que designa os habitantes da cidade, tem a sua origem no consumo de alfaces cultivadas pelos mouros e consumidas (em grandes quantidades) pelos habitantes da urbe.

A dificuldade dos árabes em pronunciar a lingua galaica, e posteriormente o galaico-português, está na origem da "curiosa" pronunciação (ortoépia) que ainda no presente se mantém na região "saloia", e que o governo central pretende exportar para as outras regiões submetidas ao colonialismo cultural de Ushbuna ou, pós-pós-modernisticamente falando, L'jbôa.